A ciranda que quero dançar

August 15, 2019

 

Foi no final dos anos 80 e início dos anos 90. Eu e minha família tínhamos nos recém mudado para uma casa no bairro apelidado de “Morro dos Cabritos”, na época praticamente uma zona rural de Barra Mansa – RJ.  Difícil explicar para as novas gerações como era aquele tempo sem toda a tecnologia que temos hoje. Resumindo, não havia computador, celular, GPS ou internet. As informações que recebíamos do mundão vinham dos livros escolares, da TV, de algumas revistas e jornais ou, claro, da boca de alguém. Sim, nada de Google, Youtube, Facebook, Instagram... Se você tivesse curiosidade, por exemplo, sobre tubarões, civilizações antigas, dinossauros ou grandes invenções, teria que caçar muito bem caçado.

 

Eu, como menino nerd que fui e ainda sou, tinha muitas perguntas para fazer sobre ciência, história, geografia... Mas de alguma forma estranha, a escola não parecia ser o local favorável para buscar as respostas. Na época eu não sabia, mas hoje entendo que a minha forma de estudar o mundo precisa de boas doses de fantasia, aventura e mão na massa.  Resumindo, eu queria criar conhecimento, e não receber informações encaixotadas.

 

Acontece que um dia notei uma certa propaganda na televisão. Era um anúncio da Ciranda da Ciência, um programa de estímulo ao pensamento científico da Fundação Roberto Marinho. Eu não tinha completado ainda 10 anos quando eu e meus melhores amigos, Daniel e Regi, criamos um clube de ciências e mandamos uma carta(!!!) para a Fundação nos apresentando.  

 

Imaginem a felicidade destes meninos curiosos quando, poucas semanas depois, recebemos uma resposta com uma revista superbacana e as nossas carteirinhas da Ciranda da Ciência. Naquele dia alguma coisa mudou em mim. Um muro caiu.

 

Tenho certeza que o sentimento daquele dia, toda aquela empolgação, foi fundamental para dourar a semente deste nosso Projeto Douradinho. Quando levamos nosso livro e nós mesmos para conversar com alunos e professores dos mais distantes rincões do país, sinto a mesma vibração no ar. Muros caem. O mundo é grande, mas ele precisa da gente. Ele precisa da nossa mão na massa, da nossa criatividade... É por isso que a humanidade existe, não para destruir, mas para criar o belo em cooperação. E hoje temos o conhecimento muito mais disponível, em mãos, para fazer isso.

 

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